Juntos, a gente consegue!

Todos os dias estamos indo ao hospital. De manhã a visita é muito curta, apenas 15 minutos, e só pode ser feita por um de nós. Normalmente é o Murilo quem entra e recebe o boletim médico. A tarde somos nós dois que visitamos, revezando, meia hora cada um.

Na passagem de bastão, passamos alguns segundos de tensões, do tipo “não falaram isso…” ou “verifica isso…” ou “observa aquilo…”. Normalmente a sensação que temos não é a mesma, mas temos um pacto não verbalizado de acreditarmos na visão mais otimista.

Doadores? Mais um? Bolsas de plaquetas: três A- e duas O-! Mais bolsas? Quantos doadores? Doador voluntário = 1 bolsa, por aférese, aproximadamente dez. 10 horas, sair correndo para o hospital para não perder o trem da visita das 11. Quantas bolsas? Pela minha conta já foram 33! Mais anticorpos! Isso é bom? Não! Mais é menos… Quanto tempo vou perder na fila para liberação deste exame? Que horas tenho que ligar? Qual o número mesmo?!

Um dia eu não acordei bem. Resolvi não ir ao hospital pela manhã, afinal, só o Murilo entraria enquanto eu ficaria sentada na antessala da UTI. Na verdade eu tinha uma intuição não-boa e minha dor no corpo era sintomática e providencial: foi o dia em que a Cacá teve uma crise devido à encefalopatia hepática que vem desenvolvendo!

Ela está bem, os números dizem isto. O principal sinal de alívio é a notícia que o último hemograma registrou 53.000 de plaquetas, o que não é nada para uma pessoa sã, mas muito para quem esteve há poucos dias com menos de 8.000! Outras siglas e termos médicos acompanhados de números também dão bons sinais, embora nenhum esteja na casa da normalidade.

A esta altura estaríamos em São Paulo, se tudo tivesse corrido como programado. Tenho usado dos números depositados para garantir a dinâmica de idas e vindas ao hospital, de ligações pelo celular, cópias e remessas de exames para médicos do Rio e São Paulo, compra de remédios, fraldas e demais conveniências para ela. Faz de conta que já estamos lá! Queria poder prestar contas de tudo, mas já se provou inviável. Queria poder contar tudo o que acontece, mas nem sempre o coração permite.

Tem momentos em que nos encontramos tão perdidos, sem saber se o que vemos é bom ou ruim, se acreditamos no coração ou nos números.

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Comentários em: "Entre Números e Sentimentos" (6)

  1. bora bora bora deixa de dengo! animo! corre! levanta! agita! hehehehehe

    sei que é complicado, mas não pdoe desanimar menina 🙂

  2. Denize disse:

    Querida, força. Estou vibrando para que você, Murilo e Caca se fortaleça, viu!

  3. Julieta Santos disse:

    Amiga, queria tanto ser mais útil, estar ao seu lado nem que fosse para segurar apenas sua mão…Sei, como mãe, o quanto precisamos ser forte, mas sei também, que as vezes nos sentimos fragilizadas, e parece que tudo vai desabar diante de tantos problemas, pricipalmente quando o assunto é “FILHOS”. Mas, Claudinha, acredite na força da fé, e na força do seu amor de mãe (e que super-mãe…super-pai, super-filhas).
    Confia no Papai do Céu…

  4. crodia disse:

    Você tem ajudado muito. Cada palavra, cada carinho é fundamental pra todos nós. Beijão Ju, e continuemos rezando!

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